
Cursos creditados (ECTS) | pós-laboral
Inscrições: lab@esad.pt | http://www.esad.pt/lab


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by Filipa Aranda
Ao estabelecer o corpo como sujeito e objecto erotizados, e ao convidar o público a participar na sua erotização com suplícios e carícias, a performer evoca a simbiose múltipla de desejos e identificações, o assumir da volúpia de espelhos. Uma oferta fetiche ao olhar prazenteiro do voyeur, que passa a ser a extensão da subjectividade mais íntima, da linguagem interna do ser libidinoso.

A convite da Galeria Extéril, Projeto "15 Minutos de Fama", Porto, Portugal
Um cenário que estimula o encontro de vários corpos, cujo conteúdo se vai alterando na corrente que se assemelha a um rio que retira, limpa e renova. É neste fluxo contínuo que se produz a fragmentação de mortes sucessivas, cuja multiplicidade se funde no processo unitário do sujeito. Segundo Georges Bataille, em O Erotismo (Editora Antígona, Lisboa, 1988), apenas os indivíduos que conhecem a angústia e o horror podem vivenciar a experiência interior do erotismo, com a consciência de se lacerarem nos seus mais íntimos recônditos. Existe no ser humano uma agitação que excede sempre os limites, que transgride a proibição nos momentos de angústia. Abre-se o caminho à auto-descoberta e à reflexão, qual o limite entre os nossos desejos e as nossas projeções e a materialização das mesmas? Que privações e obstáculos impomos a nós mesmos para não ultrapassar esses limites?

A convite da Galeria Extéril, Projeto "15 Minutos de Fama", Porto, Portugal

“15 Mins de Fama” / “15′ de la Fama / “15′ of Fame”
4ª edição / 4ª edición / 4th edition
17 de Dezembro / 17 de Diciembre / 17 December 2011
Esta edição coincide com o 12º aniversário do projecto e com a 100ª exposição.
Esta edición coincide con el 12º cumpleaño del proyecto y la exposición 100.
This edition coincides with the 12th anniversary of the project and the 100th exhibition.
Artistas convidados / Artistas invitados / Invited artists:
JORGE ABADE
17.55 (05′ M) > Expo 18.00 – 18.15 < (05′ D) 18.20
“Sombra Projetada”
instalação / installation
JOSÉ MARIA LOPES
18.20 (15′ M) > Expo 18.35 – 18.50 < (10′ D) 19.00
“5 Minutes Blues”
performance
FREDERICO FERREIRA
10.00 (15′ M) > Expo 19.15 – 19.30 < (05′ D) 19.35
“Network Operating Object Trend Experience”
fotografia - instalação / photography – installation
GIL MADEIRA
19.35 (05′ M) > Expo 19.40 – 19.55 < (05′ D) 20.00
“Mise en abyme”
pintura – instalação / painting – installation
MARCO MENDES
20.00 (05′ M) > Expo 20.05 – 20.20 < (05′ D) 20.22
“Trabalhos recentes”
desenho / drawing
FILIPA ARANDA
20.22 (15′ M) > Expo 20.37 – 20.52 < (10′ D) 21.02
“Rosácea de fogo”
performance
ÂNGELO FERR. de SOUSA + CARLA CRUZ
21.02 (03′ M) > Expo 21.05 – 21.20 < (03′ D) 21.23
“Lápide”
performance
JOÃO BAETA
21.23 (15′ M) > Expo 21.38 – 21.53 < (05′ D) 21.58
“Sobre a dificuldade de dizer não ou o registo de uma lição
de culinária que tem por matéria o quase nada”
instalação / installation
TEIXEIRA BARBOSA
21.58 (05′ M) > Expo 22.03 – 22.18 < (03′ D) 22.21
“Definição de repetição”
vídeo
VITOR SILVA CRAVO
22.21 (05′ M) > Expo 22.26 – 22.41 < (02′ D) 22.43
“Trança”
instalação / installation
CALHAU
22.43 (03′ M) > Expo 22.46 – 23.01 < (03′ D) 23.04
“S/ título”
performance
PASCAL FERREIRA
23.04 (10′ M) > Expo 23.14 – 23.29 < (02′ D) 23.31
“Pué Pué!”
performance
KANUKANAKINA
23.31 (05′ M) > Expo 23.36 – 23.51 < (05′ D) 23.56
“Changing directions”
performance
FRABRIZIO MATOS + SOFIA LEITÃO
23.56 (10′ M) > Expo 00.06 – 00.21 < (05′ D) 00.26
“Et in arcadia ego”
performance
DIOGO TUDELA
00.26 (05′ M) > Expo 00.31 – 00.46 < (02′ D) 00.48
“Drum”
instalação sonora / sound installation
JOSÉ ALMEIDA PEREIRA
00.48 (05′ M) > Expo 00.53 – 01.08 < (05′ D) 01.13
“Câmbio”
acção – performance / action – performance
ARTURO FUENTES
01.13 (05′ M) > Expo 01.18 – 01.33 < (03′ D) 01.36
“S/ título”
vídeo
M – montagem / D – Desmontagem
M – Montaje / D – Desmantelamiento
M – Assembly / D – Dismantling
SINOPSES / ABSTRACTS
> FILIPA ARANDA
“Rosácea de fogo” – Performance (M 15′ – D 10′)
Ao estabelecer o corpo como sujeito e objecto erotizados, e ao convidar o público a participar na sua erotização com suplícios e carícias, a performer evoca a simbiose múltipla de desejos e identificações, o assumir da volúpia de espelhos. Uma oferta fetiche ao olhar prazenteiro do voyeur, que passa a ser a extensão da subjectividade mais íntima, da linguagem interna do ser libidinoso. Um cenário que estimula o encontro de vários corpos, cujo conteúdo se vai alterando na corrente que se assemelha a um rio que retira, limpa e renova. É neste fluxo contínuo que se produz a fragmentação de mortes sucessivas, cuja multiplicidade se funde no processo unitário do sujeito. Segundo Georges Bataille, apenas os indivíduos que conhecem a angústia e o horror podem vivenciar a experiência interior do erotismo, com a consciência de se lacerarem nos seus mais íntimos recônditos. Existe no ser humano uma agitação que excede sempre os limites, que transgride a proibição nos momentos de angústia. Abre-se o caminho à auto-descoberta e à reflexão, qual o limite entre os nossos desejos e as nossas projecções e a materialização das mesmas? Que privações e obstáculos impomos a nós mesmos para não ultrapassar esses limites?
> GIL MADEIRA
“Mise en abyme” – Pintura / Instalação (M 5′ – D 5′)
Na heráldica, o conceito designa o fenómeno de reprodução de um escudo por uma peça situada no seu centro. André Gide usou-o para referir essa visão em profundidade e com reduplicação reduzida sugerido pelas caixas chinesas ou pelas matrioskas (bonecas russas), promovendo o deslizamento do conceito para o campo dos estudos literários e das artes plásticas em geral.
A mise en abyme consiste num processo de reflexividade literária, de duplicação especular. Tal auto-representação pode ser total ou parcial, mas também pode ser clara ou simbólica, indirecta. Na sua modalidade mais simples, mantém-se a nível do enunciado: uma narrativa vê-se sinteticamente representada num determinado ponto do seu curso. Numa modalidade mais complexa, o nível de enunciação seria projectado no interior dessa representação: a instância enunciadora configura-se, então, no texto em pleno acto enunciatório. Mais complexa ainda é a modalidade que abrange ambos os níveis, o do enunciado e o da enunciação, fenómeno que evoca no texto, quer as suas estruturas, quer a instância narrativa em processo. A mise en abyme favorece, assim, um fenómeno de encaixe na sintaxe narrativa, ou seja, de inscrição de uma micro-narrativa noutra englobante, a qual, normalmente, arrasta consigo o confronto entre níveis narrativos.
Em qualquer das suas modalidades, a mise en abyme denuncia uma dimensão reflexiva do discurso, uma consciência estética activa ponderando a ficção, em geral, ou um aspecto dela, em particular, e evidenciando-a através de uma redundância textual que reforça a coerência e, com ela, a previsibilidade ficcionais.
Bib. : DÄLLENBACH, Lucien . “Intertexte et autotexte”, Poétique (27) (1976); Id.: Le récit spéculaire. Essai sur la mise en abyme (1977).
RITA, Annabela, in e-dicionário de termos literários, direcção Carlos Ceia, 2005
> JORGE ABADE
“Sombra Projetada” – Instalação (M 5′ – D 5′)
Dentro de uma lógica subjacente ao principio dos 15 minutos fama, portanto exibição e autopromoção, a tentativa é a de operar uma situação ambígua de aparecimento e desaparecimento, questionando a validade do principio Waroliano. desafiando o suposto momento de glorificação, temos um corpo que desaparece, ou uma sobra que ganha volume (protagonismo). de qualquer forma já não será o corpo ou o ser que se mediatiza mas apenas uma percaria memória ou projeção.
> JOSÉ MARIA LOPES
“5 Minutes Blues” – Performance (M 15′ – D 10′)
Improvisação em guitarra eléctrica durante 5 minutos. Nos restantes dez minutos, os presentes serão poderão a experimentar o instrumento. Convida-se, ainda, a que quem quiser possa trazer outras guitarras e respectivo material (amplificadores, pedais, fichas triplas, jacks, etc…) para uma Jam Session.
> JOSÉ ALMEIDA PEREIRA
“Câmbio” – Acção / Performance (M 5′ – D 5′)
“Câmbio” será uma acção de curta duração que consistirá na transformação de um elemento num outro. Esta metamorfose dar-se-á pela subtracção de alguns componentes de um objecto, alterando assim a sua função inicialmente inequívoca. O resultado integrará o extremamente comum numa ferramenta de acção artística.
> KANUKANAKINA
“changing directions” – Performance (M 5′ – D 5′)
A arte é muitas vezes feita de acasos ou de acidentes que acontecem no processo criativo e que resultam numa oportunidade de explorar novas formas, novas ideias, novos conceitos. A busca destes acasos é a essência do Circuit-bending.
Circuit-bending significa modificação de circuitos. Esta técnica de alteração de dispositivos permite a construção de coisas novas, que produzem sons ou imagens estranhos, a partir de coisas velhas. Aparelhos electrónicos, sintetizadores, controles remotos, CD players, altifalantes, telefones, bonecas e brinquedos, tudo é matéria-prima para o Circuit-bending. Nascida nos anos 60, esta arte da manipulação electrónica representa uma força catalisadora na exploração de material sonoro, capaz de criar novas formas musicais.
metro / metro / subway
Marquês de Pombal ou Faria Guimarães
by Filipa Aranda
Na proposta Aflorar no Meio verte-se a agitação e o desassossego da época em que vivemos, na apaixonante e convulsiva performance dos sujeitos, à semelhança do que evoca Antonin Artaud no seu Théâtre de la Cruelté, elevando, assim, as relações humanas à sua vivência mais extasiada, a vivência do momento presente. Num ambiente de alcova, a performer lê extractos de Justine ou les Malheurs de la Vertu do Marquis de Sade, e, em simultâneo, convida o público a participar num ritual sagrado de libertação de “impurezas”, utilizando objectos afiados para limpar a sua pele. É sagrado o que é proibido, e o ser humano situa-se sempre entre duas oposições, a da rejeição e a da atracção.

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos
Como muito bem retratam Gilles Deleuze e Félix Guattari no Mil Planaltos, o livro total e fragmentado, que não emite significados, mas trilha caminhos na reflexão, faz rizoma com o mundo caótico, evoluindo em paralelo com ele, e abrindo a possibilidade de encerrar o múltiplo num único plano. E a escrita do corpo? Também nela podemos prolongar a linha de fuga até à mais abstrata das dimensões desterritorializadas? Podemos perpetuar o desejo numa produção sem limites de nós mesmos? Pode o rizoma ser uma libertação da sexualidade que aflora no meio, sem ponto de partida nem meta de chegada? Um evento interactivo e táctil em que os sentidos da visão e da audição são os fios condutores dos múltiplos corpos em acção, que trabalham na direcção do esvaziamento do espaço interior, construindo um gesto de pensamento nulo.

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos
Fotografias de Mario Gutiérrez Cru

Evento a ser realizado em Lisboa, entre os dias 5 e 13 de Novembro de 2011, é marcado por um certo carácter provocador, nesta primeira edição aposta-se na multiplicidade de propostas e na apresentação de artistas portugueses, espanhóis, franceses, angolanos assim como latino-americanos. Espera-se que com acções de natureza efêmera, realizadas em espaços públicos e de cultura com larga história em termos de experimentação em Lisboa, se desvele o risco e o acaso numa intensa semana de experimentações.
O evento aparece como forma de questionamento sobre a urgência deste meio, o performativo enquanto acto singular e de tensão entre diferentes territórios: o artístico e o vivencial, o quotidiano e o provocador, o íntimo e o público, o poético e o ético.
Vídeos baseados na exploração do limite do corpo que aludem à violência e à tortura de um corpo político na America Latina.
by Filipa Aranda
No alto da tua montanha, uma lâmpada isolada no interior estende uma escadaria. Em cada degrau descansas a fadiga que te incomoda. Sobrevoas o meu vale com penas de pavão. No alto da tua montanha existe uma escadaria de impedimento absoluto. É sexta-feira. Noite de desculpas mil para te evadires desse lugar a que chamas teu. Um jogo de cartas com os amigos. Uma reunião que se prolonga pela noite dentro. No meu regaço. No meu regaço o jogo, as cartas, a reunião que se prolonga pela noite dentro, fortificar o desconforto que anima as pegadas dos teus dias sombrios. Como ter coragem de embarcar na tragédia de Eurípides, frenéticas danças das bacantes a despedaçar animais bravios, alimento cru extasiado? Que dizer dos enxames que rodeiam as coisas sagradas? E do mel que pincela a superfície para esconder o sabor acre e desagradável, doloroso, mordaz? Doce hipocrisia temperada de açúcar, dissabores múltiplos de fingidoras bondades. À água que não é do mar não se pode chamar mar. Tomo como termo de comparação a unidade. Um número. O número nove. Chave número nove. É essa a chave que te entregam quando o carro se aproxima do pequeno postigo diluído na densa escuridão deste lugar recôndito, emoções encobertas na confidencialidade oculta daquilo que não é visível ou facilmente acessível. Abre-se a porta do teu ermitério inconsciente, onde habitas as garras dos teus tormentos. Aflições do querer. Aflições do apetecer. Aflições de mortificações inconfessáveis. Desnudas o teu estado de inatividade nos meus olhos de vidente, para não mais afogares a voz secreta que reclama a expressão da tua vontade. Neste ninho agora nosso a transfusão dos desejos mais vorazes. Em cima da pequena mesa redonda uma garrafa de champanhe. Brut. A cama, pouco elevada do chão, estende uma rosácea em todo o seu corpo robusto, luminosidade multicolor que desabrocha da mais profunda obscuridade. O único sentir é o sentir do momento, tentar entender o que se passa com cada ser no momento. Não interessa o antes nem o depois, o agora é aquilo que me deslumbra e me projeta para uma ínfima parte de mim mesma que eu nunca ousei abrir, nem sequer imaginar. A parte mais subtil dos escombros que me estatelaram por terra. Sinto-me tranquila. Sem qualquer sentimento de culpa. A maior parte das pessoas fica junta pelas mais variadas razões. Marguerite Duras parece-me demasiado compreensiva e conformista quando fala das relações conjugais em A Vida Material. Não compreendo, como ela parece tão bem compreender, que amar alguém por este ou por aquele motivo, seja amor. Estar com alguém para ter menos medo, para ter a comodidade de dois ordenados, para manter o estatuto dentro da família e da sociedade, por causa dos filhos, ou por qualquer outra justificação abaixo do razoável, e, por este motivo, entrar num abismo depressivo, não pode ser amor, ou o que concebemos por amor. Só pode ser o caminho da auto-mutilação, da auto-destruição. No início as flores são todas viçosas, mas o tempo e as intempéries encarregam-se de destruir a sua frescura vigorosa. Um dia conheci uma mulher. Uma mulher que tinha quatro filhos. Um dia esta mulher confessou-me que mantinha o seu casamento de trinta anos pelos filhos, pela família, pela sociedade. Há muito que não suportava sequer o cheiro da pessoa com quem era obrigada a partilhar a cama diariamente. Um dia esta mulher confessou-me que casou pelo carro, pela segurança económica. Desde o início foi humilhada e oprimida. Mas mantinha sempre um sorriso tranquilo. Um sorriso de cessação de todo o ruído. Um sorriso de quem se abstinha de exprimir o pensamento. Podia ter-se libertado das mãos tiranas que a sufocavam, porque exercia uma profissão que lhe dava autonomia financeira. É possível que à sua vontade consciente se opusesse uma vontade inconsciente? Que fim teve esta mulher? Morreu com meio século de vida. Morreu paulatinamente, deixando-se consumir por uma doença que lhe foi imposta pelas suas próprias opções. No final, o alívio. O alívio das muitas mortes que sofreu em vida. Estava cansada de lutar. De sonhar com um mundo que nunca seria seu, imagens que vislumbrava no pináculo dos mais altos cumes. O céu sempre azul. As flores sempre cheias de mocidade. Ainda não consigo entender a ironia do destino ou do acaso. Por que é que às bestas lhes é dada a expedita capacidade de continuar a mover as peças no jogo de xadrez? E por que é que essas peças continuam a participar nesse jogo? Fixas o teu olhar em mim, porque sabes que eu estou longe, muito longe daqui. Não dizes nada. Apenas sorris. No silêncio aproximas o teu corpo do meu. Abraças-me. Há quanto tempo não te dão um abraço?, perguntas. Sinto o teu cheiro misturar-se com o meu, um aroma idealizado para perfumar o tempo presente. Depois do abraço as carícias. Na rosácea escarlate. Na rosácea escarlate, o meu corpo alvo sobre o suplício da tua fogueira, brincadeiras que celebram a secreta e voluptuosa arte da paixão. Brincadeiras que celebram a secreta e voluptuosa arte da profanação do sagrado que aparenta ser.