Em Março de 2012 realizarei um workshop de Performance Artística e Ritual, na ESAD Matosinhos. As inscrições já se encontram abertas.

•Janeiro 3, 2012 • Deixe um Comentário

ESAD/LAB 2011/2012
Programa de formação aberta de curta duração, com workshops nas áreas da Arte, Comunicação, Interiores, Moda, Joalharia, Multimédia e Produto.

Cursos creditados (ECTS) | pós-laboral
Inscrições: lab@esad.pt | http://www.esad.pt/lab

Projeto de Performance 7

•Dezembro 28, 2011 • Deixe um Comentário

 by Filipa Aranda

Ao estabelecer o corpo como sujeito e objecto erotizados, e ao convidar o público a participar na sua erotização com suplícios e carícias, a performer evoca a simbiose múltipla de desejos e identificações, o assumir da volúpia de espelhos. Uma oferta fetiche ao olhar prazenteiro do voyeur, que passa a ser a extensão da subjectividade mais íntima, da linguagem interna do ser libidinoso.

A convite da Galeria Extéril, Projeto "15 Minutos de Fama", Porto, Portugal

Um cenário que estimula o encontro de vários corpos, cujo conteúdo se vai alterando na corrente que se assemelha a um rio que retira, limpa e renova. É neste fluxo contínuo que se produz a fragmentação de mortes sucessivas, cuja multiplicidade se funde no processo unitário do sujeito. Segundo Georges Bataille, em O Erotismo (Editora Antígona, Lisboa, 1988), apenas os indivíduos que conhecem a angústia e o horror podem vivenciar a experiência interior do erotismo, com a consciência de se lacerarem nos seus mais íntimos recônditos. Existe no ser humano uma agitação que excede sempre os limites, que transgride a proibição nos momentos de angústia. Abre-se o caminho à auto-descoberta e à reflexão, qual o limite entre os nossos desejos e as nossas projeções e a materialização das mesmas? Que privações e obstáculos impomos a nós mesmos para não ultrapassar esses limites?

A convite da Galeria Extéril, Projeto "15 Minutos de Fama", Porto, Portugal

No próximo dia 17 de Dezembro, pelas 20h30, estarei na Galeria Extéril, Porto, a apresentar a minha performance mais recente, “Rosácea de Fogo” , a convite do Projeto “15 Mins de Fama”.

•Novembro 23, 2011 • Deixe um Comentário

15 minutos de fama

“15 Mins de Fama” / “15′ de la Fama / “15′ of Fame”

4ª edição / 4ª edición / 4th edition

17 de Dezembro / 17 de Diciembre / 17 December 2011

Esta edição coincide com o 12º aniversário do projecto e com a 100ª exposição.
Esta edición coincide con el 12º cumpleaño del proyecto y la exposición 100.
This edition coincides with the 12th anniversary of the project and the 100th exhibition.

Artistas convidados / Artistas invitados / Invited artists:

JORGE ABADE
17.55 (05′ M) > Expo 18.00 – 18.15 < (05′ D) 18.20
“Sombra Projetada”
instalação / installation

JOSÉ MARIA LOPES
18.20 (15′ M) > Expo 18.35 – 18.50 < (10′ D) 19.00
“5 Minutes Blues”
performance

FREDERICO FERREIRA
10.00 (15′ M) > Expo 19.15 – 19.30 < (05′ D) 19.35
“Network Operating Object Trend Experience”
fotografia
 - instalação / photography – installation

GIL MADEIRA
19.35 (05′ M) > Expo 19.40 – 19.55 < (05′ D) 20.00
“Mise en abyme”
pintura – instalação
 / painting – installation

MARCO MENDES
20.00 (05′ M) > Expo 20.05 – 20.20 < (05′ D) 20.22
“Trabalhos recentes”
desenho 
/ drawing

FILIPA ARANDA
20.22 (15′ M) > Expo 20.37 – 20.52 < (10′ D) 21.02
“Rosácea de fogo”
performance

ÂNGELO FERR. de SOUSA + CARLA CRUZ
21.02 (03′ M) > Expo 21.05 – 21.20 < (03′ D) 21.23
“Lápide”
performance

JOÃO BAETA
21.23 (15′ M) > Expo 21.38 – 21.53 < (05′ D) 21.58
“Sobre a dificuldade de dizer não ou o registo de uma lição
de culinária que tem por matéria o quase nada”
instalação / installation

TEIXEIRA BARBOSA
21.58 (05′ M) > Expo 22.03 – 22.18 < (03′ D) 22.21
“Definição de repetição”
vídeo

VITOR SILVA CRAVO
22.21 (05′ M) > Expo 22.26 – 22.41 < (02′ D) 22.43
“Trança”
instalação / installation

CALHAU
22.43 (03′ M) > Expo 22.46 – 23.01 < (03′ D) 23.04
“S/ título”
performance

PASCAL FERREIRA
23.04 (10′ M) > Expo 23.14 – 23.29 < (02′ D) 23.31
“Pué Pué!”
performance

KANUKANAKINA
23.31 (05′ M) > Expo 23.36 – 23.51 < (05′ D) 23.56
“Changing directions”
performance

FRABRIZIO MATOS + SOFIA LEITÃO
23.56 (10′ M) > Expo 00.06 – 00.21 < (05′ D) 00.26
“Et in arcadia ego”
performance

DIOGO TUDELA
00.26 (05′ M) > Expo 00.31 – 00.46 < (02′ D) 00.48
“Drum”
instalação sonora / sound installation

JOSÉ ALMEIDA PEREIRA
00.48 (05′ M) > Expo 00.53 – 01.08 < (05′ D) 01.13
“Câmbio”
acção – performance / action – performance

ARTURO FUENTES
01.13 (05′ M) > Expo 01.18 – 01.33 < (03′ D) 01.36
“S/ título”
vídeo

M – montagem / D – Desmontagem
M – Montaje / D – Desmantelamiento
M – Assembly / D – Dismantling 

SINOPSES / ABSTRACTS

> FILIPA ARANDA
“Rosácea de fogo” – Performance (M 15′ – D 10′)
Ao estabelecer o corpo como sujeito e objecto erotizados, e ao convidar o público a participar na sua erotização com suplícios e carícias, a performer evoca a simbiose múltipla de desejos e identificações, o assumir da volúpia de espelhos. Uma oferta fetiche ao olhar prazenteiro do voyeur, que passa a ser a extensão da subjectividade mais íntima, da linguagem interna do ser libidinoso. Um cenário que estimula o encontro de vários corpos, cujo conteúdo se vai alterando na corrente que se assemelha a um rio que retira, limpa e renova. É neste fluxo contínuo que se produz a fragmentação de mortes sucessivas, cuja multiplicidade se funde no processo unitário do sujeito. Segundo Georges Bataille, apenas os indivíduos que conhecem a angústia e o horror podem vivenciar a experiência interior do erotismo, com a consciência de se lacerarem nos seus mais íntimos recônditos. Existe no ser humano uma agitação que excede sempre os limites, que transgride a proibição nos momentos de angústia. Abre-se o caminho à auto-descoberta e à reflexão, qual o limite entre os nossos desejos e as nossas projecções e a materialização das mesmas? Que privações e obstáculos impomos a nós mesmos para não ultrapassar esses limites? 

> GIL MADEIRA
“Mise en abyme” – Pintura / Instalação (M 5′ – D 5′)
Na heráldica, o conceito designa o fenómeno de reprodução de um escudo por uma peça situada no seu centro.  André Gide usou-o para referir essa visão em profundidade e com reduplicação reduzida sugerido pelas caixas chinesas ou pelas matrioskas (bonecas russas), promovendo o deslizamento do conceito para o campo dos estudos literários e das artes plásticas em geral.
A mise en abyme consiste num processo de reflexividade literária, de duplicação especular.  Tal auto-representação pode ser total ou parcial, mas também pode ser clara ou simbólica, indirecta.  Na sua modalidade mais simples, mantém-se a nível do enunciado:  uma narrativa vê-se sinteticamente representada num determinado ponto do seu curso.  Numa modalidade mais complexa, o nível de enunciação seria projectado no interior dessa representação:  a instância enunciadora configura-se, então, no texto em pleno acto enunciatório.  Mais complexa ainda é a modalidade que abrange ambos os níveis, o do enunciado e o da enunciação, fenómeno que evoca no texto, quer as suas estruturas, quer a instância narrativa em processo.  A mise en abyme favorece, assim, um fenómeno de encaixe na sintaxe narrativa, ou seja, de inscrição de uma micro-narrativa noutra englobante, a qual, normalmente, arrasta consigo o confronto entre níveis narrativos.
Em qualquer das suas modalidades, a mise en abyme denuncia uma dimensão reflexiva do discurso, uma consciência estética activa ponderando a ficção, em geral, ou um aspecto dela, em particular, e evidenciando-a através de uma redundância textual que reforça a coerência e, com ela, a previsibilidade ficcionais. 
 Bib. : DÄLLENBACH, Lucien . “Intertexte et autotexte”, Poétique (27) (1976); Id.: Le récit spéculaire. Essai sur la mise en abyme (1977).
RITA, Annabela, in e-dicionário de termos literários, direcção Carlos Ceia, 2005 

> JORGE ABADE
“Sombra Projetada” – Instalação (M 5′ – D 5′)
Dentro de uma lógica subjacente ao principio dos 15 minutos fama, portanto exibição e autopromoção, a tentativa é a de operar uma situação ambígua de aparecimento e desaparecimento, questionando a validade do principio Waroliano. desafiando o suposto momento de glorificação, temos um corpo que desaparece, ou uma sobra que ganha volume (protagonismo). de qualquer forma já não será o corpo ou o ser que se mediatiza mas apenas uma percaria memória ou projeção.

> JOSÉ MARIA LOPES
“5 Minutes Blues” – Performance (M 15′ – D 10′)
Improvisação em guitarra eléctrica durante 5 minutos. Nos restantes dez minutos, os presentes serão poderão a experimentar o instrumento. Convida-se, ainda, a que quem quiser possa trazer outras guitarras e respectivo material (amplificadores, pedais, fichas triplas, jacks, etc…) para uma Jam Session.

> JOSÉ ALMEIDA PEREIRA
“Câmbio” – Acção / Performance (M 5′ – D 5′)
“Câmbio” será uma acção de curta duração que consistirá na transformação de um elemento num outro. Esta metamorfose dar-se-á pela subtracção de alguns componentes de um objecto, alterando assim a sua função inicialmente inequívoca. O resultado integrará o extremamente comum numa ferramenta de acção artística.

> KANUKANAKINA
“changing directions” – Performance (M 5′ – D 5′)
A arte é muitas vezes feita de acasos ou de acidentes que acontecem no processo criativo e que resultam numa oportunidade de explorar novas formas, novas ideias, novos conceitos. A busca destes acasos é a essência do Circuit-bending.
Circuit-bending significa modificação de circuitos. Esta técnica de alteração de dispositivos permite a construção de coisas novas, que produzem sons ou imagens estranhos, a partir de coisas velhas. Aparelhos electrónicos, sintetizadores, controles remotos, CD players, altifalantes, telefones, bonecas e brinquedos, tudo é matéria-prima para o Circuit-bending. Nascida nos anos 60, esta arte da manipulação electrónica representa uma força catalisadora na exploração de material sonoro, capaz de criar novas formas musicais.

metro / metro / subway
Marquês de Pombal ou Faria Guimarães

Projeto de Performance 6

•Novembro 16, 2011 • Deixe um Comentário

by Filipa Aranda

Na proposta Aflorar no Meio verte-se a agitação e o desassossego da época em que vivemos, na apaixonante e convulsiva performance dos sujeitos, à semelhança do que evoca Antonin Artaud no seu Théâtre de la Cruelté, elevando, assim, as relações humanas à sua vivência mais extasiada, a vivência do momento presente. Num ambiente de alcova, a performer lê extractos de Justine ou les Malheurs de la Vertu do Marquis de Sade, e, em simultâneo, convida o público a participar num ritual sagrado de libertação de “impurezas”, utilizando objectos afiados para limpar a sua pele. É sagrado o que é proibido, e o ser humano situa-se sempre entre duas oposições, a da rejeição e a da atracção.

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos

Como muito bem retratam Gilles Deleuze e Félix Guattari no Mil Planaltos, o livro total e fragmentado, que não emite significados, mas trilha caminhos na reflexão, faz rizoma com o mundo caótico, evoluindo em paralelo com ele, e abrindo a possibilidade de encerrar o múltiplo num único plano. E a escrita do corpo? Também nela podemos prolongar a linha de fuga até à mais abstrata das dimensões desterritorializadas? Podemos perpetuar o desejo numa produção sem limites de nós mesmos? Pode o rizoma ser uma libertação da sexualidade que aflora no meio, sem ponto de partida nem meta de chegada? Um evento interactivo e táctil em que os sentidos da visão e da audição são os fios condutores dos múltiplos corpos em acção, que trabalham na direcção do esvaziamento do espaço interior, construindo um gesto de pensamento nulo.

A convite de Imergência - Encontro de Performance em Lisboa, Portugal - Espaço do Urso e dos Anjos

Fotografias de Mario Gutiérrez Cru

No próximo dia 5 de Novembro, pelas 21h00, estarei no Espaço do Urso e dos Anjos a apresentar o meu novo projeto de performance, “Aflorar no Meio”, a convite de epipiderme – Imergência – Encontro de Performance em Lisboa

•Outubro 23, 2011 • Deixe um Comentário

IMERGENCIA
Encontro de performance é uma proposta com acções provocadoras, happenings, vídeo-performances e conversas.

Evento a ser realizado em Lisboa, entre os dias 5 e 13 de Novembro de 2011, é marcado por um certo carácter provocador, nesta primeira edição aposta-se na multiplicidade de propostas e na apresentação de artistas portugueses, espanhóis, franceses, angolanos assim como latino-americanos. Espera-se que com acções de natureza efêmera, realizadas em espaços públicos e de cultura com larga história em termos de experimentação em Lisboa, se desvele o risco e o acaso numa intensa semana de experimentações.

O evento aparece como forma de questionamento sobre a urgência deste meio, o performativo enquanto acto singular e de tensão entre diferentes territórios: o artístico e o vivencial, o quotidiano e o provocador, o íntimo e o público, o poético e o ético.


PROGRAMA
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ESPAÇO DO URSO E DOS ANJOS
5 e 6 Novembro 2011
Rua Palmira nº5 A
1170-285 LISBOA
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DIA 5
16h
Mostra de Vídeo Performance da América Latina INSURGENCIAS DEL CUERPO
Curadoria Sílvio De Gracia (Argentina)

Vídeos baseados na exploração do limite do corpo que aludem à violência e à tortura de um corpo político na America Latina.

Ángela Chio (México), Julieta María (Colômbia), Ricardo Miguel Hernández (Cuba), Paola Montoya (México),Tulio Restrepo (Colômbia), Ar Detroy (Argentina), Fernando Pertuz (Colômbia), Marcela Rivera (Argentina), Amira Tremont (Venezuela), mmmmm (Chile-UK), Miguel Rodríguez Sepúlveda (México), Ilana Boltvinik (México), Renny Barrios (Venezuela)
Video Performance
Fabi Borges (Brasil) - Tecnoxamanismo / clínica de afetos
Xamanismo e multimédia. Os vídeos mostram uma serie de técnicas de intensificação de presença, produção de imaginário, tecnomagia.
21h
Performance
Colectivo Bu (Portugal) - Palavras Vivas
Instalação-happening, reflexão sobre o poder da palavra, sobre as palavras como organismos vivos.
Rocío Boliver (México) - en la inopia
Propostas de intensa exploração dos limites físicos, com elementos de exposição pública muitas vezes de teor sexual, procura desestabilizar a dormência social e pulsional.
João Abel e Vasco Roncon (Portugal) - O Tributo – O herói também morre
A ideia de comemorar a vida sem esquecer a morte surgiu das leituras da Odisseia: Ulisses em cada paragem do seu périplo era convidado a chorar os mortos e só depois o banquete orgíaco começava.
Filipa Aranda (Portugal) - Aflorar no Meio
Performance entre o ritual e a densidade literária, propõem-se a purificação do corpo utilizando objectos afiados, convida-se o público a um acto íntimo.
Concerto Performance
Thomas Kahrel e João Branco (Portugal) - A Koz.inha
Degustação sonora preparada na mesa da cozinha dos autores, ingredientes electrónicos e naturais, especiarias, exploração sensorial.
DIA 6
16h
Conversas PERFORMANCE O DISCURSO DO EFÉMERO NO CONTEXTO PORTUGUÊS
Natxo Checa - Festival Atlântico
Miguel Moreira - O Olho/ Festival X
Fernando Aguiar - Encontros Internacionais de Performance 1985 e 1988
Leonor Areal - notas sobre o Documentário Geração Feliz
Fátima Séneca - Performance e Museu
E. M. de Melo e Castro - As primeiras performances poéticas em Portugal
21h
Performance
Andrea Inocêncio (Portugal) – Transcorporação
Trabalho que pensa as fronteiras culturais, barreiras e comportamentos, questionando os limites e corpo, as dificuldades que os preconceitos sociais criam nas relações sociais.
Yonamine Miguel (Angola)
Cria instalações que em acumulação vão criando e reorganizando o excesso, expressivo, político, Yonamine Miguel, faz aqui uma incursão no performativo.
Ramón Churruca (Espanha) - Filme / Os Contos de Negruri
Filme-ensaio sobre a depressão, com o seu caracter grotesco e cómico misturando drama pessoal e frivolidade burguesa.
Victor Bonet (Espanha) – Tsunami
Instalação performance, é uma deriva sobre o urbano, o autor assume-se como artista da reivindicação.
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PRAÇA DO COMÉRCIO
9  Novembro 2011
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11h – 18h
Intervenções em Espaço Público
Maria Dos Milagres (Portugal) - frasecorpo
Intervenção no espaço com escrita a giz e corpo, falando a imagem pelo gesto. Proposta de longa duração.
Fabi Borges (Brasil) - Performance de Mala
Convidam-se os transeuntes a participar, a criar personagens e construir um micro-roteiro performático de um minuto, que será gravado e disponibilizado na internet.
Mario Gutierez Cru (Espanha) - Quero fazer fumo da crise
Como um pássaro, devagar, escrever no chão uma palavra que irá por certo desaparecer, expressão de um sentimento que é actual mas é negativo, escrever muito devagar.
Cristian Guardia (Venezuela) - Folkitsch
Performance instalação que se constrói a partir do imaginário simbólico de identidade nacional e deste como mecanismo de coesão, a peça tem a lógica do souvenir.
Hugo de Almeida Pinho e André Fonseca (Portugal) - Mer Ka Bah
A performance criará um percurso, com um imaginário que se pode dizer quase místico, encarna-se a expectativa do viajante de sentir o espanto, de se ser veículo da luz numa praça…
Paco Nogales (Espanha) - Hamburguer
O performer trabalha a questão do fast food, diz que é uma comida que mata a fome no presente mas que não tem em conta o futuro, que não nutre, daqui parte para a acção.
Vitor Lago Silva (Portugal) - The Last words of Domenico and a public sacrifice
Acreditando que os discursos de homens loucos na rua ocultam verdades indesejáveis, recria-se o discurso de Domenico personagem de “Nostalgia” de Andrei Tarkovsky.
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INSTITUT FRANÇAIS DU PORTUGAL
10 e 11 Novembro 2011
Morada : Avenida Luís Bívar, 91
1050-143 Lisboa
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Curadoria de Antoine Palmier-Reynaud (França) TRANSFUSÃO
Transfusão surge como tributo às praticas artísticas que fazem aparecer o texto, como corpo e imagem, na espacialização, pensando o lugar da palavra como multi-transmissivel.
DIA 10
De 10 a 28 de Novembro, de 16h à 19 h
Documentos de artista e performance de França VERSION DES FAITS
Selecção de documentos realizada com a colaboração de Julien Blaine, collectif En cas où franckDavid, Simon Feydieu, Arnaud Labelle-Rojoux,  Léo Marin Lettry, Galerie Rezeda (Adeline Duquennoy et Manuel Reynaud), Fabrice Reymond
Artistas
Videos de Céline Ahond , Joël Bartoloméo,  Anna Byskov, Julien Cadoret , Claude Cattelain, Lucille Dautriche, Léo Durand & Baptiste Croze, Olivier Dollinger, Emma Dusong,  Encastrable, Fabrikdelabeslot , Grore image , Thibaud Guichard, Anthony Jaquot Boeykens, Mickael Lianza, Links (Franck Balland, Dominique Gilliot, Madeleine Mathé, Emilie Parendeau, Hugo Pernet, Cyril Vergès & Cécile Broqua), Marina Mars , Philippe Mairesse (Accèslocal), Quentin Maussang,  Cedric Micchi, Nicolas Momein ,  Jeanne Moynot , Carine Munoz& Charlotte Livine, Miguel Pelleterat , Cécile Richard, , Naima Saidi , Jean Baptiste Sauvage , KazaK n°8, performan (Anne Kawala, François-Thibaut Pencenant, Sarah Tritz , Céline Ahond, Julien Blaine, Pauline Curnier-Jardin, Sébastien Dicenaire, Louise Hervé et Chloé Maillet, Géraldine Gourbe, Michaël Phellipeau, Fanny Torrès et Isabelle Vorle),  Liv Schulman,  Sarah Trouche,  Nicolas Vargas, Julien Vicomte
21h
Performance Des buissons de sens propre
Serge Pey & Chiara Mulas (França)
Poemas em acção em ruptura com as fronteiras da arte, da plástica, da teoria. Explora-se os fenómenos da ritualização da língua na prática oral.
Fanny Torrès (França)
Na sua investigação, a escrita transforma-se em diálogo ou canção, a palavra é accionada em colectivo, dita, cantada por solistas, actores ou interpretada pelo público.
DIA 11
21h
Performance Des buissons de sens propre
Emilie Parendeau (França)
A perfomer trabalha “reactivando” obras de outros artistas, experimentando desenquadramentos históricos e desestabilizando o conceito de autoria.
Anne-James Chaton (França)
Poeta sonoro, o seu trabalho plástico e visual é centrado na escrita, sendo daí que se materializam as suas concepções.
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GALERIA ZÉ DOS BOIS
12 e 13  Novembro 2011
Rua da Barroca, nº 59
1200-049 Lisboa
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DIA 12
16h
Mostra de Video Performance de Espanha LA VIDA ES PARA SER VIVIDA
Curadoria Mario Gutiérrez Cru (Espanha)
Esta selecção de vídeos explora a realidade de forma crua, são intimidadas secretas, onde a câmara é o grande panóptico, nas ruas de Alfama está escrito “a vida não é para ser vista é para ser vivida”, aqui mostra-se uma visão do vivido.
Félix Fernández, Ana Matey, Sergio Ojeda, Maite Camacho, Jens Jaeger, Alberto Chinchón, Andrés Senra, Carlos Llavata, Esther Achaerandio, Ricardo Almendros, Left Hand Rotation, Bongore, Eva Pérez, Engels Mateo
Documentário sobre Os Felizes da Fé
Leonor Areal (Portugal) - Geração Feliz
Documentário sobre os “Os Felizes da Fé” grupo de teatro inesperado, que entre 1985 e 1995 marcou o panorama artístico Português, criando o movimento Hiperdada.
21h
Performance
Alberto Pimenta (Portugal) - Feitiços
O seu trabalho poético abrange, poemas visuais e performance, uma das performances mais reconhecidas entre nós é a sua proposta “Homo sapiens”, onde se tranca numa jaula no Jardim Zoológico de Lisboa.
Lúcia Prancha e Sara Nunes Fernandes - Goodbye, Laika, 2011
Performance multidisciplinar, alguns atributos remetem para uma espécie de espectáculo que se auto decompõem, se conceptualiza e se investiga como objecto científico.
Susana Chiocca (Portugal) - à espera
Performance a modo de ponto ou marca e exclamação.
António Azenha (Portugal) - BugsOn
Performance em que se conjuram animais tecnológicos na esperança que estes ocupem o seu lugar na praxis do performer/pintor.
PAN – Miguel Palancares e Alberto Chinchón (Espanha) - DevoraDos 
Dois convidados interagem ao mesmo tempo que comem, as suas acções nada têm a ver com o acto de se alimentarem; experiência plástica e temporal.
Concerto performance
Marcio-André e Ana Gesto (Brasil /Espanha) - Multitubetextura 8
Experimento lúdico-virtual, cujo princípio está na utilização da interface de um blog ou website para abrigar uma lista de vídeos do youtube a serem executados simultaneamente.
DIA 13
16h
Conversas PERFORMANCE O DISCURSO DO EFÉMERO NO CONTEXTO PORTUGUÊS
José Alberto Ferreira - Escrita na Paisagem – Festival de performance e Artes da Terra
António Azenha - Line Up Action
Paulo Raposo - No performance’s Land – cruzamentos entre performance art e antropologia
Alexandre A. R. Costa - PROJECTO I.M.A.N.
João Fiadeiro - AND_Lab
Susana Chiocca - A Sala
Chambel Santos - epipiderme- Encontros à volta da performance
21h
Performance
Alexandre A. R. Costa (Portugal) - Sem uma caixa (continua em Portugal)
Projecto em que se explora a ideia de sistema fechado e sistema aberto, colocando em confronto a metáfora da caixa com a realidade num contexto cultural específico.
Paco Nogales - Los posibles efectos de llorar en los hombres
Associados a género estão valores – “o homem não chora”, acção trata poéticamente 2 opções de vivência da dor a auto-flagelação e a não expressão verbal da dor: beber para esquecer.
Hugo de Almeida Pinho e André Fonseca (Portugal) - FR4592 – Porta11 – Atlas
Performance parte da ideia de embarque e num voo perdido a nostalgia de uma cenário idílico são o motivo para esta experiência fora do lugar, a acção começa na rua.
Ana Matey (Espanha) - 5k
A performer experimenta muitas vezes a imobilidade como paragem de significação e diluição de barreiras entre espaço e corpo, aqui irá usar também um objecto, que pesa 5Kg.
João Garcia Miguel, Rui Gato e Sara Ribeiro (Portugal) - POESIA KNORRE
Desbunda poética, sonora caquética, frenética, composta por breves explicações esotéricas e alucinógenas sobre as questões da poesia das alucinações e das outras saídas para a vida.
*No espaços ESPAÇO DO URSO E DOS ANJOS e GALERIA ZÉ DOS BOIS pede-se a contribuição de 5 euros -nas noites de performance a partir das 21h.
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epipiderme
Encontros à volta da performance

Entardecer no esquecimento

•Setembro 29, 2011 • Deixe um Comentário

by Filipa Aranda

No alto da tua montanha, uma lâmpada isolada no interior estende uma escadaria. Em cada degrau descansas a fadiga que te incomoda. Sobrevoas o meu vale com penas de pavão. No alto da tua montanha existe uma escadaria de impedimento absoluto. É sexta-feira. Noite de desculpas mil para te evadires desse lugar a que chamas teu. Um jogo de cartas com os amigos. Uma reunião que se prolonga pela noite dentro. No meu regaço. No meu regaço o jogo, as cartas, a reunião que se prolonga pela noite dentro, fortificar o desconforto que anima as pegadas dos teus dias sombrios. Como ter coragem de embarcar na tragédia de Eurípides, frenéticas danças das bacantes a despedaçar animais bravios, alimento cru extasiado? Que dizer dos enxames que rodeiam as coisas sagradas? E do mel que pincela a superfície para esconder o sabor acre e desagradável, doloroso, mordaz? Doce hipocrisia temperada de açúcar, dissabores múltiplos de fingidoras bondades. À água que não é do mar não se pode chamar mar. Tomo como termo de comparação a unidade. Um número. O número nove. Chave número nove. É essa a chave que te entregam quando o carro se aproxima do pequeno postigo diluído na densa escuridão deste lugar recôndito, emoções encobertas na confidencialidade oculta daquilo que não é visível ou facilmente acessível. Abre-se a porta do teu ermitério inconsciente, onde habitas as garras dos teus tormentos. Aflições do querer. Aflições do apetecer. Aflições de mortificações inconfessáveis. Desnudas o teu estado de inatividade nos meus olhos de vidente, para não mais afogares a voz secreta que reclama a expressão da tua vontade. Neste ninho agora nosso a transfusão dos desejos mais vorazes. Em cima da pequena mesa redonda uma garrafa de champanhe. Brut. A cama, pouco elevada do chão, estende uma rosácea em todo o seu corpo robusto, luminosidade multicolor que desabrocha da mais profunda obscuridade. O único sentir é o sentir do momento, tentar entender o que se passa com cada ser no momento. Não interessa o antes nem o depois, o agora é aquilo que me deslumbra e me projeta para uma ínfima parte de mim mesma que eu nunca ousei abrir, nem sequer imaginar. A parte mais subtil dos escombros que me estatelaram por terra. Sinto-me tranquila. Sem qualquer sentimento de culpa. A maior parte das pessoas fica junta pelas mais variadas razões. Marguerite Duras parece-me demasiado compreensiva e conformista quando fala das relações conjugais em A Vida Material. Não compreendo, como ela parece tão bem compreender, que amar alguém por este ou por aquele motivo, seja amor. Estar com alguém para ter menos medo, para ter a comodidade de dois ordenados, para manter o estatuto dentro da família e da sociedade, por causa dos filhos, ou por qualquer outra justificação abaixo do razoável, e, por este motivo, entrar num abismo depressivo, não pode ser amor, ou o que concebemos por amor. Só pode ser o caminho da auto-mutilação, da auto-destruição. No início as flores são todas viçosas, mas o tempo e as intempéries encarregam-se de destruir a sua frescura vigorosa. Um dia conheci uma mulher. Uma mulher que tinha quatro filhos. Um dia esta mulher confessou-me que mantinha o seu casamento de trinta anos pelos filhos, pela família, pela sociedade. Há muito que não suportava sequer o cheiro da pessoa com quem era obrigada a partilhar a cama diariamente. Um dia esta mulher confessou-me que casou pelo carro, pela segurança económica. Desde o início foi humilhada e oprimida. Mas mantinha sempre um sorriso tranquilo. Um sorriso de cessação de todo o ruído. Um sorriso de quem se abstinha de exprimir o pensamento. Podia ter-se libertado das mãos tiranas que a sufocavam, porque exercia uma profissão que lhe dava autonomia financeira. É possível que à sua vontade consciente se opusesse uma vontade inconsciente? Que fim teve esta mulher? Morreu com meio século de vida. Morreu paulatinamente, deixando-se consumir por uma doença que lhe foi imposta pelas suas próprias opções. No final, o alívio. O alívio das muitas mortes que sofreu em vida. Estava cansada de lutar. De sonhar com um mundo que nunca seria seu, imagens que vislumbrava no pináculo dos mais altos cumes. O céu sempre azul. As flores sempre cheias de mocidade. Ainda não consigo entender a ironia do destino ou do acaso. Por que é que às bestas lhes é dada a expedita capacidade de continuar a mover as peças no jogo de xadrez? E por que é que essas peças continuam a participar nesse jogo? Fixas o teu olhar em mim, porque sabes que eu estou longe, muito longe daqui. Não dizes nada. Apenas sorris. No silêncio aproximas o teu corpo do meu. Abraças-me. Há quanto tempo não te dão um abraço?, perguntas. Sinto o teu cheiro misturar-se com o meu, um aroma idealizado para perfumar o tempo presente. Depois do abraço as carícias. Na rosácea escarlate. Na rosácea escarlate, o meu corpo alvo sobre o suplício da tua fogueira, brincadeiras que celebram a secreta e voluptuosa arte da paixão. Brincadeiras que celebram a secreta e voluptuosa arte da profanação do sagrado que aparenta ser.

 
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